CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DA AEEC 

Por Francisco Ari Maia Júnior

A decadência dos clubes sociais em Fortaleza, a partir da década de 1990 trouxe reflexos decisivos para a estrutura do xadrez cearense. No passado, vários clubes, onde podem ser citados o Náutico Atlético Cearense, BNB Clube, AABB, Clube dos Diários, Ideal Clube, Clube do Médico, dentre outros, sustentavam financeiramente a Federação Cearense de Xadrez (pagavam, cada um, meio salário mínimo de mensalidade). A FCX tinha sede social, funcionário, telefone e equipamentos enxadrísticos diversos. Em meados da década, houve um esvasiamento desses clubes na estrutura da FCX, que passaram a não pagar mais a entidade, vitimados pela própria atrofia financeira. Os jogadores passaram não mais a se filiar a um clube, mas diretamente à FCX.
Vale ressaltar que estamos falando apenas de Fortaleza, pois existia xadrez no interior, mas sem uma estrutura organizacional específica. Lembro com saudades, por exemplo, do trabalho do professor Hamilcar na serra da Meruoca.
Nesse contexto, em 1998, surgiram alguns trabalhos fora dos clubes sociais, mas que viriam contribuir para transformar o nosso querido esporte. Refiro-me à fundação da Associação Desportiva Pedro I (ADPI), do Clube de Xadrez do Conjunto Ceará, do Clube de Xadrez da Barra do Ceará (que substituiu a ADPI) e do embrião do Clube de Xadrez de Juazeiro do Norte.
Queríamos na época uma entidade independente da FCX para fazer um xadrez mais "artesanal", onde pudessem jogar xadrez não só aquelas pessoas com cadastro CBX (o único que existia na época), mas qualquer interessado em jogar. Nessa época eu presidia o Clube de Xadrez da Barra do Ceará (sucessor da ADPI, como já foi dito). Através do Professor Francisco Joatan Freitas, amigo do Curso de História da UECE, conhecemos o trabalho desenvolvido no Conjunto Ceará, por outras pessoas, dentre eles os amigos Hargos Oliveira e Marcos Rodigues.
A pretensão na época era que o CXBC ajudasse o pessoal a fazer o I Aberto de Xadrez do Conjunto Ceará. Fizemos o torneio e durante a organização fortalecemos nossos laços de amizade. Daí em diante, estávamos nós, todo final de semana na casa do Hargos jogando xadrez e comendo a "bolachinha oficial" com coca-cola. O passo seguinte foi realizar um curso de arbitragem na casa do Hargos, do qual participaram o anfitrião, o Joatan e o Marcos Rodrigues. Para que a comunidade enxadrística tome a real importância desse curso, um dos alunos, Joatan Freitas, ministrou mais adiante um curso, onde o nosso atual presidente da FCX e árbitro FIDE aprendeu os primórdios da arbitragem.
Fortalecida a amizade, decidiu-se por fundir as nossas organizações enxadrísticas. Aí que veio o primeiro problema: quem vai passar para o clube de quem. Nem nós, da Barra do Ceará (Sérgio Silva, Rewbênio Araújo, Luiz Santos, Luís Valente, Jorge Nogueira, entre outros) aceitaríamos ir para o CXCC, assim como os amigos citados não iriam para o CXBC. Também não aceitávamos a idéia de um novo clube, pois dava a idéia de um local físico, onde as pessoas se reúnem para jogar. Nesse contexto, conhecemos o trabalho do professor Demóstenes Dantas, em Juazeiro do Norte. Convidamos, então, o Demóstenes para conhecer o trabalho em Fortaleza e juntar-se à nós. Fundamos então a Associação dos Enxadristas do Estado do Ceará. Outros nomes surgiram como proposta: Clube de Xadrez do Ceará (nada de clube, lembram?), Associação de Xadrez do Ceará, Associação Cearense de Xadrez (esses dois foram vetados por Marcos Rodrigues que não aceitava que "xadrez" se associasse e sim os praticantes (enxadristas).
A primeira diretoria foi formada por mim (Ari Maia) como Presidente, Demóstenes Dantas como Vice-Presidente, Hargos Oliveira, como Tesoureiro, Joatan Júnior, Diretor Social, Marcos Rodrigues, Secretário Geral, Nazareno Xavier, Diretor Técnico, Rita de Sousa, Diretora para Assuntos Femininos, Francisco Wellington, Diretor para Assuntos Estudantis. Integraram o 1º Conselho Fiscal: Iradson Maciel, Pedro de Lima Neto, Antônio Sérgio, Euripedys Rocha, Jorgiano Barbosa e Joelma Costa (os três últimos como suplentes).
As disposições transitórias diziam que o mandato era de três anos, exceto o primeiro mandato, de um ano. Assim foi fundada oficialmente a AEEC no dia 28 de março de 1999. O Hargos tratou logo de produzir a logomarca da entidade, a mesma atual, e a 1ª edição do Website, que pode ser conferida aqui.
O primeiro campeonato AEEC foi organizado durante o restante do ano, em um Circuito de sete torneios, na sua maior parte realizado no Clube dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar, na Av. Francisco Sá, na Barra do Ceará. O primeiro e único campeão AEEC é o enxadrista (na época com 12 anos! e vice-campeão brasileiro da categoria) Edson Fonseca, hoje integrante da Marinha do Brasil.
No ano seguinte, 2000, em cumprimento aos Estatutos da AEEC, abri o processo eleitoral, onde a diretoria foi modificada. Pedi pra não ser presidente de novo, pois queria que os poderes fossem modificados em cada gestão. Depois de algumas negociações (daquelas de um empurrando o cargo pro outro, comum no xadrez cearense) resolveu-se pela candidatura única de Francisco Wellington (Caucaia) para o cargo. Eleito presidente, Wellington não conseguiu tocar nenhum projeto, pois não conseguiu aglutinar as pessoas necessárias para tocarem a AEEC e ela foi esquecida. Cada um foi pro seu lado, cuidar das coisas do mundo afora, inclusive eu.
Em 2007, portanto, depois de sete longos anos, ocorreu o I Torneio de Xadrez do Trabalhador, em que eu e o Meneleu pensamos toda a base teórica do evento, mas que na hora da execução administrativa, como não éramos pessoas jurídicas, tivemos que passar os louros para a Federação Cearense de Xadrez. Senti naquele momento, como se eu tivesse preparado toda a festa e na hora de decidir questões importantes (como a premiação que daríamos aos jogadores), fosse jogado fora. A culpa não era da FCX, pois ela era a promotora oficial e não tinha nada a ver com as nossas insatisfações ou divergências, mas nossa, que não havíamos sido competentes o suficiente para gerenciar o problema.
Decidi, a partir daquele dia, que se nosso grupo quisesse fazer acontecer novamente no xadrez cearense, teríamos que fundar uma entidade. Como a AEEC estava fundada e só precisava ser reativada, resolvemos por "ressuscitar a entidade". A Assembléia Geral foi a menor das preocupações desde a reativação, pois foi rápida, limpa e transparente. A regularização da documentação e o pagamento de multas foi uma enorme dor de cabeça, que levou mais de um ano. A partir de 2008, com tudo em dia, passamos então à solidificação da entidade.
A nova diretoria Tinha que ser forte, em função da responsabilidade que a nova fase da entidade tinha pela frente. Foram convocados a comporem o elenco da AEEC, nada menos que três ex-presidentes da FCX: Ari Maia, Eron Moreira e Edmar Monte. Foram reconvocados dois diretores da primeira composição: Francisco Joatan e Marcos Rodrigues. Além disso, novos quadros do xadrez cearense complementaram a equipe: André Caminha, Roberto Gomes, Aloísio Lopes, Airton Rodrigues e José Meneleu. Adicionalmente foram resgatados dois nomes que fizeram história no xadrez cearense: Luiz Santos e Silvana Durand. A composição pode ser conferida, clicando aqui.
Mas, faltava algo para tornar o trabalho completo: o website. Como não tínhamos recursos para pagar um webdesigner e um arte-finalista, incluindo as constantes atualizações, fui eu mesmo fazer os cursos de Designer Gráfico e Webdesigner para poder fazer as artes necessárias aos eventos (folders, troféus, cartazes, etc) e o Website. Bem, a partir daí, vocês podem acompanhar essa história ao vivo, basta navegar todos os dias nesse espaço. Em breve, escreveremos outro artigo sobre os rumos do xadrez popular cearense.